Escolha seu Caminho
Os caminhos que a vida nos leva...
Uma hora estamos ali, felizes, tranqüilos, com a vida fazendo todo o sentido. Nossos sonhos, objetivos imediatos, metas, desejos... Todos bem definidos e conquistados a duras penas. Do nada, parece que vem um turbilhão e tudo vai por terra. Um a um, sem que você tenha tempo de pensar. A vida seguiu seu curso mas te deixou ali, sozinho, para que você procure outro caminho, porque aquele não mais te apetece.
Tudo para.
Só a mente trabalha. Perguntas, perguntas, perguntas, respostas, respostas, respostas... Um balé constante de idéias, conceitos, verdades que agora não fazem mais sentido. Deixaram de ser. E você precisa achar seu caminho. Um novo caminho.
Me vem à cabeça imediatamente a imagem de Robert Johnson sentado à beira de uma encruzilhada em uma estrada deserta do Mississippi, com uma guitarra nas costas e esperando uma resposta até que ela dê as caras. Se ele esperou ou não, depois desta encruzilhada Robert Johnson se tornou o pai de um dos estilos musicais mais influentes do breve século XX: O Blues.
Alguns gostam de dizer que naquela encruzilhada ele fez um pacto com o diabo e dali se consagrou como gênio musical de um século. Eu prefiro acreditar que ele se sentou ali como um cachorro que cai de um caminhão de mudança no meio do nada, e pensou na sua vida... Na encruzilhada quatro caminhos. Quarto rotas. Quatro destinos. Bem, eu acredito piamente que ele escolheu ser o pai do Blues. Acredito que ele sabia exatamente aonde estava indo quando escolheu seu caminho naquela encruzilhada.
Agora, nada é livre de risco. Sempre existem os efeitos colaterais. Mesmo nos caminhos mais tranqüilos, alguns espinhos nos aguardam na beira da estrada. Robert Johnson foi envenenado em um boteco de quinta categoria, em Greenwood, Mississippi, em 1938. Morreu três dias depois.
Será que lá na encruzilhada, ao escolher seu novo caminho, ele sabia o que o esperava? Será que ele poderia saber que sua trilha o levaria inevitavelmente ao encontro com o fatídico copo de Whiskey envenenado? Não, ele não podia.
Ninguém pode prever aonde o caminho nos leva. Podemos escolhê-lo, trilhá-lo, mas não temos idéia dos efeitos colaterais que esta rota nos trará. Que novos valores e metas povoarão nosso desejo? O que mudará em nós? Cada caminho traz uma responsabilidade. Você está apto a aceitar as responsabilidades que sua nova rota o trará?
Perguntas, perguntas, perguntas, respostas, respostas, respostas... O eterno vai e vem da maré da vida. Tão delicioso, tão intrigante, tão perigoso... O que nos resta a fazer é tão somente seguir em frente. Escolher, encarar. Se reinventar diariamente adaptando-se automaticamente às curvas da estrada, mas sem perder a compostura. Aceitar que a vida tem de seguir o seu curso, seja lá qual ele for.
Como bem disse Robert Johnson:
“I went to the crossroads,
Fell down on my knees…”
